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| Imagem: Reprodução |
O Brasil já convive com cerca de 500 mil pessoas com doença de Parkinson, e esse número pode ultrapassar 1,2 milhão até 2060 na população acima de 50 anos, segundo estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), publicado na The Lancet Regional Health Américas. O crescimento acompanha o envelhecimento populacional e impõe desafios crescentes ao sistema de saúde.
Doença neurodegenerativa progressiva e ainda sem cura, o Parkinson apresenta evolução variável, mas com evidências consistentes de que o diagnóstico precoce e a intervenção adequada modificam significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
O Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, celebrado em 11 de abril e instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforça a importância de reconhecer sinais iniciais. Entre os sintomas motores mais comuns estão tremor em repouso, rigidez muscular, lentidão dos movimentos (bradicinesia) e instabilidade postural. No entanto, manifestações não motoras podem preceder o quadro clínico típico, como perda do olfato, distúrbios do sono, constipação intestinal, depressão e alterações na escrita.
O diagnóstico é essencialmente clínico, podendo ser complementado por exames como a ressonância magnética e o SPECT cerebral com TRODAT, especialmente em casos selecionados, auxiliando na diferenciação de outras condições.
Tratamento e acesso pelo SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento medicamentoso por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), incluindo fármacos como levodopa e, mais recentemente, rivastigmina para demência associada à doença de Parkinson. Além disso, a abordagem multidisciplinar — com fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte psicológico — é fundamental para retardar a progressão funcional e reduzir complicações.
Cirurgia: quando está indicada e quais os benefícios
Para pacientes que evoluem com flutuações motoras, discinesias ou controle inadequado dos sintomas apesar do tratamento medicamentoso otimizado, a cirurgia de estimulação cerebral profunda (Deep Brain Stimulation – DBS) representa uma opção terapêutica consolidada.
“Trata-se de um procedimento seguro e amplamente estudado, no qual eletrodos são implantados em regiões específicas do cérebro e conectados a um gerador implantável, semelhante a um marca-passo”, explica o neurocirurgião Dr. Thiago Rocha (CRM 6233-RN). “A estimulação elétrica modula circuitos neuronais alterados, promovendo melhora significativa dos sintomas motores.”
Segundo o especialista, a indicação cirúrgica deve ser feita de forma criteriosa e no momento adequado da doença. “A DBS não é um tratamento de último recurso. Quando indicada corretamente, pode proporcionar redução importante de tremor, rigidez e lentidão, além de diminuir a dependência medicamentosa e melhorar a autonomia do paciente.”
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Os avanços tecnológicos recentes incluem eletrodos direcionais e geradores inteligentes, capazes de ajustar a estimulação de forma personalizada, aumentando a eficácia terapêutica e reduzindo efeitos adversos.
Qualidade de vida e decisão informada
Estudos internacionais demonstram que pacientes submetidos à DBS apresentam melhora sustentada na qualidade de vida, especialmente quando comparados ao tratamento clínico isolado em fases avançadas com complicações motoras.
“É fundamental que pacientes e familiares entendam que existem opções além do tratamento medicamentoso, e que a avaliação precoce em centros especializados permite identificar o melhor momento para cada intervenção”, destaca o Dr. Thiago Rocha.
Diante do aumento projetado de casos no país, especialistas reforçam a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico, à avaliação especializada e às terapias avançadas, incluindo a cirurgia, como parte de uma estratégia integral de cuidado ao paciente com Parkinson.