Ambulantes decidiram aproveitar a concentração de manifestantes na área central de Brasíliadurante a semana de votação do impeachment para aumentar os rendimentos. Havia ofertas de alimentos, como picolés e cachorros-quentes, e artigos indígenas, como colares e pulseiras, nas proximidades do Teatro Nacional na tarde desta segunda-feira (11). Grupos contra o afastamento de Dilma Rousseff se reuniam no local.
Funcionária de uma barraquinha de cachorro-quente, a ambulante Nana Borges também aproveitou para vender no local. A mulher admite que cobra preços diferentes para manifestantes contra e pró-impeachment.
"O dogão é R$ 7 em protesto contra Dilma. Aqui [onde há militantes a favor da gestão petista] tem que abaixar para R$ 5 porque se não ninguém paga. A água cai de R$ 5 para R$ 2", conta a mulher.
Ela diz que já vendeu até R$ 5 mil em dias de protesto. Nesta segunda, a mulher havia comercializado R$ 500 até as 17h30. A maior parte do dinheiro fica com o chefe, dono da van. Mesmo assim, Nana considera vantajoso receber R$ 100 por dia.
"Com esse tanto de protesto, consigo bem mais que o salário mínimo", afirma. A vendedora mora em Luziânia, cidade do Entorno que fica a 60 quilômetros do Plano Piloto.
"Não sei como me posicionar sobre política. Acho que cada lado tem de lutar pelo que acredita. É bom ver que ainda há quem luta pela pátria", comenta. Na barraquinha, a procura maior é pelo cachorro-quente, mas ela também vende bebidas e chicletes. "É cansativo, porém divertido."
O ambulante Miguel Nunes Filho, morador da Asa Norte, conta que aluga a bicicleta de uma sorveteria de Brasília e pega a mercadoria consignada. A expectativa da Secretaria de Segurança Pública é de que 300 mil pessoas passem pela Esplanada dos Ministérios ao longo dos próximos dias.
"Eu vendo picolés em todas as manifestações. Nos protestos pró-governo eu consigo vender mais, só hoje já faturei R$ 400 desde as 8h. O pessoal da CUT [Centro Única dos Trabalhadores], do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] é bastante guerreiro, lutam desde cedo, sem arruaça."
De origem indígena, Dariana Machado deixou o Maranhão há oito meses para vender colares e pulseiras artesanais em Brasília. Nesta segunda, ela só conseguiu lucrar com dois produtos, cada um por R$ 10. "Minha mãe e meu pai vieram comigo. Só minha irmã ficou lá porque é casada. Eu sinto falta", disse. "A gente só volta para o Maranhão depois de vender tudo", afirmou, sem conseguir estimar quanto tempo levaria para liquidar o estoque.
O vendedor Cláudio Rocha reclamou que os churrasquinhos dele não chamavam a atenção do grupo pró-governo. "A expectativa era melhor, mas o movimento está fraco. Acho que é porque todo mundo almoçou", disse o ambulante. "Só trabalho em dia de manifestação. Em um protesto movimentado, consigo tirar uns R$ 400."
Morador de Ceilândia, Rocha chegou ao Teatro Nacional por volta das 9h. Ele carregou o carrinho desmontável durante o trajeto no ônibus. Às 16h40, ele já tinha vendido quase metade dos 200 espetinhos, cada ao custo R$ 4. Dos churrasquinhos, o mais procurado é o de carne, em comparação com o de calabresa e o de frango.
Protestos são esperados diante do Congresso durante votações do processo do impeachment na Câmara. Nesta segunda (11), a comissão especial analisa o parecer do relator sobre o processo. O caso deve ir para o plenário no próximo final de semana.
Acampamentos
Movimentos sociais contrários ao impeachment chegaram ao Teatro Nacional em 20 ônibus, e as caravanas são equipadas com barracas e comida. O grupo estendeu faixas de apoio à presidente Dilma Rousseff, com a mensagem "vai ter luta, não vai ter golpe". Os representantes não quiseram dar entrevista. O GDF informou que tenta transferi-los para o estacionamento do ginásio Nilson Nelson, já que acampamentos na Esplanada estão proibidos.
Movimentos sociais contrários ao impeachment chegaram ao Teatro Nacional em 20 ônibus, e as caravanas são equipadas com barracas e comida. O grupo estendeu faixas de apoio à presidente Dilma Rousseff, com a mensagem "vai ter luta, não vai ter golpe". Os representantes não quiseram dar entrevista. O GDF informou que tenta transferi-los para o estacionamento do ginásio Nilson Nelson, já que acampamentos na Esplanada estão proibidos.
Militantes que querem a saída da presidente montaram estruturas no Parque Ana Lídia, no Parque da Cidade. Até a manhã desta segunda, o acampamento reunia 25 pessoas. Elas dizem que receberam doações para se manter no lugar.
Um dos organizadores, o professor Allan dos Santos diz ter se demitido de uma escola no Rio Grande do Sul para vir ao protesto. "Estamos aqui para tirar a presidente Dilma do poder, tendo em vista que a corrupção é apenas um instrumento que eles usam para instalar o comunismo no país", disse. A expectativa do grupo é reunir milhares de pessoas no acompanhamento até a próxima sexta (15).
G1
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