05 abril 2016

Novo presidente do PMDB ataca gestão desastrosa de Dilma e rechaça ideia de novas eleições Romero Jucá assume comando da legenda para elevar o tom da disputa contra o PT


Novo presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) criticou duramente o governo da presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira. Segundo ele, o Executivo promoveu no último ano uma "eternidade de incompetência" nos campos político e econômico. Refutando a cantilena petista, Jucá disse que o processo de impeachment não pode ser considerado um "golpe". E afirmou que o partido não "troca o certo pelo duvidoso", mas sim busca um caminho e uma resposta às ruas para os gritos de "fora Dilma". Jucá assumiu o controle do partido para elevar o tom do embate político e fazer frente às recentes críticas do ex-presidente Lula à sigla.
"Esse um ano e três meses se transformou em uma eternidade de incompetência. O governo se superou. Conseguiu fazer tudo da pior forma possível e nós temos hoje esse quadro que esta aí", disse Jucá. "A condução econômica desse governo e a gestão estão um desastre. Na campanha política não vimos um debate de correção de rumos", completou.
Jucá tentou eximir o PMDB da responsabilidade pela crise político-econômica e comparou a legenda a um "comissário de bordo" em uma aeronave sob outro comando. Ele citou os projetos apresentados pelos ex-ministros Guido Mantega e Joaquim Levy e pelo atual ministro da Fazenda Nelson Barbosa e resumiu: "Não venham cobrar do PMDB a crise econômica, porque o PMDB não pilotou esse avião econômico. O Michel não era copiloto, o Michel estava fora da cabine. Nós éramos, no PMDB, comissários de bordo. A gente segurava as pessoas, mandava apertar o cinto e dava o saquinho para vomitar". "Não temos responsabilidade nem pela condução política nem pela condução econômica, que são os dois aspectos que quebraram esse país conjunturalmente", disse, fazendo coro à carta em que Temer reclamava da falta de interlocução com a presidente Dilma.
O parlamentar ainda comparou o escândalo de corrupção desvendado pela Operação Lava Jato com a situação em que o ex-presidente Fernando Collor foi retirado do governo, em 1992, e disse: "Com a Lava Jato, a situação do Collor virou juizado de pequenas causas". O próprio Jucá é alvo de inquérito no petrolão.
Diante de um plenário lotado, o novo presidente do PMDB afirmou ainda que a legitimidade de um eventual governo Dilma não estará na possibilidade de barrar o processo de impeachment, e sim se a base aliada conseguir uma ampla margem de votos, muito além dos 342 votos necessários para abrir o pedido de deposição da petista. No impeachment, são necessários 342 votos para a abertura do processo na Câmara dos Deputados, mas apenas 171 para garantir o arquivamento.
Em recados velados ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que havia classificado como "pouco inteligente" e "precipitada" a decisão do PMDB de deixar o governo, Jucá rebateu. "A sociedade que estava nas ruas esperava uma posição do maior partido do Brasil. Não é precipitado tomar uma posição a favor do povo. É inteligente cuidarmos da nossa vida e deixar o povo ao léu? Talvez seja o momento de se deixar o interesse pessoal próprio e cuidar do interesse coletivo de quem votou em todos nós", disse.
Em seu discurso, Jucá ainda criticou outras propostas de peemedebistas, como a recente emenda constitucional pró-eleições gerais apresentada pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), e disse que alternativas como essa podem ser consideradas como um "golpe". "Qualquer outra saída mirabolante aí, sim, é golpe. Eleições gerais para todo mundo. Está na Constituição? Não. Todo mundo renuncia. Está na Constituição? Não. A regra tem que ser cumprida".
Romero Jucá também destacou a "falta de representatividade que vivem partidos e políticos" e defendeu que detentores de mandatos eletivos se posicionem claramente sobre se apoia ou não o governo Dilma. Ele criticou a estratégia desesperada do governo de leiloar os cargos do PMDB para reformular a base de sustentação do Palácio do Planalto e disse que, diante de a nova reforma ministerial só ser consolidada depois da votação do processo de deposição de Dilma, "o governo ia comprar votos antes do impeachment e agora vai dar um cheque pré-datado". "Se quisermos ser respeitados, temos que ter posicionamento que efetivamente represente a população que está lá fora. O que a população que vai nos acompanhar espera do Congresso e dos políticos brasileiros? Espera uma solução. A política tem que construir uma solução aqui dentro desse Congresso", disse.

         "Nós éramos, no PMDB, comissários de bordo. A gente segurava as pessoas, mandava apertar o cinto e dava o saquinho para vomitar", Romero Juca, sobre a participação do partido no governo Dilma 

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