O transtorno bipolar é uma doença psiquiátrica crônica caracterizada por oscilações intensas de humor. A pessoa alterna entre episódios de euforia — chamados de mania — e episódios de depressão profunda. Esses ciclos vão além das variações normais do dia a dia e interferem diretamente na vida pessoal, profissional e social. Estima-se que afete entre 1% e 2% da população mundial, representando cerca de 6 milhões de brasileiros.
2. Sintomas: as duas faces da doença
Na fase de mania, a pessoa sente euforia exagerada, redução da necessidade de sono, pensamentos acelerados, gastos impulsivos e comportamentos de risco. Já na fase depressiva, surgem tristeza profunda, isolamento, falta de energia, perda de prazer nas atividades e, em casos graves, ideação suicida. Esses dois extremos podem se alternar rapidamente ou ser separados por períodos de humor estável, variando de pessoa para pessoa.
3. Tipos de transtorno bipolar
O transtorno bipolar se divide principalmente em dois tipos. No Tipo 1, os episódios de mania são intensos e podem incluir alucinações e delírios. No Tipo 2, a euforia é mais leve — chamada de hipomania — e os períodos de depressão predominam. Existe ainda a ciclotimia, forma mais branda com oscilações menos intensas, porém persistentes por pelo menos dois anos. Cada tipo exige abordagem terapêutica específica.
4. Causas e fatores de risco
As causas do transtorno bipolar envolvem uma combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais. A hereditariedade tem peso significativo: o risco pode chegar a 70% em filhos ou irmãos de pessoas com a doença. Alterações em neurotransmissores como serotonina e dopamina também estão envolvidas. Eventos estressantes da vida, uso de substâncias e variações hormonais — como no pós-parto — podem desencadear ou agravar as crises.
5. Tratamento e qualidade de vida
O transtorno bipolar não tem cura, mas tem tratamento eficaz. A combinação de medicamentos estabilizadores de humor — como lítio e anticonvulsivantes — com psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, permite que a maioria das pessoas leve uma vida estável e produtiva. O diagnóstico precoce é fundamental. Sem tratamento, a doença compromete relacionamentos, trabalho e aumenta significativamente o risco de suicídio.
6 Riscos sem tratamento
Quando não tratada, a doença afeta relacionamentos, desempenho escolar e no trabalho, e está associada a taxas elevadas de suicídio. Entre os casos, de 40% a 60% envolvem abuso de álcool e drogas, e de 5% a 15% resultam em suicídio.
Dr Daniel Lima Sampaio
Médico Psiquiatra
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