07 julho 2026

[FOTOS] Classificados em concurso da Polícia Civil realizam ato em frente à Governadoria

Imagem: Reprodução

Os classificados no último concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) realizaram, nesta terça-feira (7) pela manhã, um ato público em frente à Governadoria do Estado, no Centro Administrativo de Natal. A mobilização teve como objetivo pleitear que o Governo do RN nomeie os candidatos que já estão aptos, e convoque os remanescentes para realização do Curso de Formação Profissional (CFP).

Atualmente, são 155 candidatos que já cumpriram todas as etapas do certame e aguardam para assumir para assumir cargos de agente, delegado e escrivão; enquanto aproximadamente 90 ainda precisam ser convocados para a última fase obrigatória do concurso, que pode garantir seu ingresso na corporação.

O ato chamou atenção também para o déficit histórico no efetivo da Polícia Civil potiguar, que opera em um contexto de crimes registrados, mas não investigados no estado. De acordo com dados da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE) do Governo do RN, em 2025, dos 77.140 registros de ocorrência realizados, apenas 12.611 inquéritos policiais foram instaurados. Ou seja: a cada 100 ocorrências, aproximadamente 16 evoluíram para investigação formal, evidenciando a demanda existente e a necessidade de pessoal para dar continuidade aos procedimentos investigativos.

Conforme dados levantados pelo Ministério Público do RN em Inquérito Civil, a corporação opera com apenas 34% do seu efetivo previsto em lei. Ao todo, são 3 mil vagas em aberto, cenário impacta diretamente a capacidade investigativa e o atendimento à população.

“Nossa mobilização não é apenas pela nomeação dos aprovados e a convocação de nova turma do CFP. É pelo fortalecimento da Polícia Civil em um momento em que o Rio Grande do Norte vê o crescimento do crime organizado e precisa ampliar sua capacidade de investigação e atendimento à sociedade”, explicou Rafaella Pérsico, classificada para o cargo de escrivão.

Nomeações recentes não acrescentam ao efetivo

Nos últimos meses, o Governo do Estado chegou a publicar a nomeação de 150 policiais civis. No entanto, os atos tiveram como objetivo apenas recompor vacâncias, ou seja, vagas abertas por aposentadorias e outros desligamentos, sem representar ampliação do efetivo da instituição.

"Temos ouvido que a limitação seriam fiscais, mas o próprio Estado já reconheceu, em decisões e manifestações técnicas, que a reposição de cargos na segurança pública não está sujeita às restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal. E paralelo a isso, observamos que o Estado deixa a parte estratégica da Segurança de lado e nomeia para outras pastas, abre outros concursos, enquanto ignora os resultados de um que já foi realizado, gerou gastos, e tem gente pronta para assumir", argumenta Rafaella.

Os classificados que ainda não realizaram o Curso de Formação Profissional também chamam atenção para a proximidade do encerramento da validade do concurso (Edital nº 01/2020-PCRN), previsto para outubro de 2026. Como o CFP possui duração média de três meses, o tempo restante é considerado insuficiente para novas postergações sem comprometer o aproveitamento dos candidatos aprovados.

“Nos causa preocupação ver o anúncio de novos concursos enquanto ainda existem centenas de aprovados na Polícia Civil aguardando a conclusão de um certame que continua válido. O aproveitamento desses candidatos deveria ser tratado como prioridade enquanto estratégia para melhor a segurança do Rio Grande do Norte. A urgência não é apenas dos candidatos, mas da própria segurança pública”, finaliza Thalita Mendonça, classificada para o cargo de delegada.


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