Como psiquiatra, afirmo com convicção: não existe tratamento infantil completo quando a saúde mental da mãe também está adoecida..png)
Imagem: Reprodução
Recebo diariamente mães exaustas. Mães que vivem correndo contra o tempo. Mães que lutam praticamente sozinhas para garantir terapias, acompanhamento, escola, inclusão e desenvolvimento para os seus filhos.
E existe algo que a sociedade ainda precisa compreender: essas mães também precisam de cuidado.
Muitas chegam ao consultório sem dormir bem há meses. Ansiosas, sobrecarregadas, culpadas e em estado constante de alerta.
Elas carregam o peso emocional de quem tenta ser forte o tempo inteiro.
Quando falamos em intervenção precoce no autismo, por exemplo, estamos falando sobre algo extremamente importante para o desenvolvimento infantil. Os primeiros anos de vida representam uma fase de intensa neuroplasticidade cerebral — ou seja, um período em que o cérebro possui maior capacidade de aprendizagem, adaptação e construção de conexões neurais.
Por isso, estimular precocemente faz diferença.
Mas existe uma verdade que também precisa ser dita: nenhuma mãe consegue sustentar uma rotina tão intensa sem adoecer emocionalmente, se ela não tiver apoio e cuidado.
Cuidar da saúde mental de quem cuida também é intervenção. Também é tratamento. Também é inclusão.
Uma mãe emocionalmente acolhida consegue conduzir melhor o processo terapêutico do filho, compreender estratégias, aplicar orientações e participar de forma mais segura do desenvolvimento da criança.
Precisamos parar de romantizar o esgotamento materno como prova de amor. Exaustão não deve ser normalizada.
Quem cuida também merece ser cuidado.
— Dr. Daniel Sampaio, Psiquiatra.

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