Dra. Danielli Matias explica que a doença atinge tabagistas e não tabagistas, costuma ser descoberta tardiamente e tem mais chances de cura quando detectada cedo
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| Imagem: Reprodução |
O adenocarcinoma se origina nas células glandulares do revestimento dos pulmões e responde pela maioria dos casos da doença no mundo — no Brasil, são cerca de 31 mil novos casos por ano. A oncologista Danielli Matias (CRM 4796 RN – RQE 1566), especialista em câncer de pulmão, explica que o tumor não poupa nem quem nunca fumou. "Ele acomete pacientes tabagistas e não tabagistas, e também é o mais comum entre quem nunca fumou", afirma.
Segundo a médica, a doença está frequentemente associada a alterações moleculares e responde a terapias-alvo e imunoterapia, "mas é agressiva, assim como todos os tumores de pulmão".
Os sintomas costumam ser discretos: tosse, falta de ar e dor no peito podem ser confundidos com uma infecção respiratória simples. Tosse com sangue é menos comum, e a perda de peso geralmente sinaliza doença avançada. Por isso, cerca de 80% dos casos no Brasil são diagnosticados em fases avançadas. "Quando o câncer de pulmão dá sintomas, muitas vezes ele já está em um estágio mais avançado", explica a médica.
O exame capaz de identificar a doença antes de qualquer sintoma é a tomografia de tórax de baixa dose, recomendada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia para tabagistas e ex-tabagistas acima dos 50 anos, anualmente no início e, depois, a cada dois anos. "Também está sendo avaliado um aumento de risco em não tabagistas, com história familiar, exposição ocupacional ou pela própria poluição.
No Brasil, já vão iniciar estudos clínicos em pacientes não tabagistas", afirma a oncologista.
Tumores em fase inicial, pequenos e restritos ao pulmão, geralmente menores que 4 centímetros, podem ser tratados apenas com cirurgia, como no caso do Papa. Características de pior prognóstico, como infiltração da pleura ou linfonodos comprometidos no mediastino, exigem tratamento complementar. "Na maioria das vezes é quimioterapia, algumas vezes seguida de imunoterapia", explica Dra. Danielli Matias.
As chances de cura dependem do estágio do diagnóstico. "Quanto mais precoce, maiores as chances. Pacientes com doença localizada e totalmente ressecada com cirurgia têm possibilidade de cura muito maior", afirma Dra. Danielli.
Mesmo em casos avançados, o tratamento atual permite controlar a doença: "Já tive pacientes que trataram com imunoterapia e hoje estão apenas em acompanhamento, sem doença em atividade, há mais de três anos", relata.
Após a cirurgia, o paciente pode ou não precisar de tratamento adjuvante. O acompanhamento é feito com tomografia de tórax com contraste a cada quatro a seis meses, conduzido pelo oncologista junto com o cirurgião.


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