03 março 2026

Proseg Consultoria: A empresa que não manteve um contrato de limpeza e foi habilitada para gerir o SAMU do RN

Imagem: Reprodução

Em outubro de 2025, o Ministério Público Federal rescindiu o contrato com a Proseg Consultoria por descumprimento de obrigações contratuais. O serviço que a empresa não conseguiu executar era a limpeza de uma sede em Goiânia. Três meses depois, em janeiro de 2026, a mesma empresa venceu a licitação para gerir o SAMU 192 do Rio Grande do Norte, serviço que atende 1,75 milhão de pessoas em 91 municípios, com 29 bases e unidades de suporte avançado com médicos a bordo. O contrato vale R$ 16.973.880,00.

Para comprovar experiência compatível com o porte do serviço, a Proseg apresentou um atestado de atuação no SAMU de Princesa Isabel, cidade de 21 mil habitantes no sertão da Paraíba. O problema é duplo: o contrato de gestão daquele SAMU pertencia a outra empresa, a Honorato Serviços Médicos, e nenhum vínculo direto com a Proseg foi localizado nos documentos públicos do município. O que a empresa efetivamente atestou foram quatro plantões mensais, realizados apenas aos sábados. O SAMU do RN exige 1.169 plantões por mês. A proporção é de 1 para 292.

A diferença financeira é igualmente reveladora. Os quatro plantões em Princesa Isabel representavam uma receita mensal estimada de R$ 4 mil a R$ 5 mil. No contrato do RN, a receita mensal será de aproximadamente R$ 1,4 milhão. Todo o contrato do SAMU de Princesa Isabel, por quatro anos de operação, somou R$ 3,57 milhões. A Proseg deverá faturar esse valor em dois meses e meio no Rio Grande do Norte. A empresa não respondeu aos pedidos de comentário. A SESAP defendeu a lisura do processo, mas não respondeu se consultou o histórico contratual da Proseg antes de habilitá-la.

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