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| Imagem: Reprodução |
A inércia do Brasil em classificar o crime organizado como terrorismo deixou um vácuo de autoridade que os EUA preencheram. A negligência do Governo brasileiro em relação à urgência de classificar formalmente facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas vai muito além de uma mera mudança de nomenclatura jurídica.
Cabe lembrar que esses grupos não se limitam apenas a essas duas siglas. Com as disputas internas, várias outras surgiram, operando com a mesma metodologia. A própria estrutura de segurança pública, juntamente ao serviço de inteligência, já identificou aproximadamente 80 organizações criminosas, cada uma com sua estrutura e siglas próprias.
A diferenciação, porém, constitui um passo indispensável para asfixiar as redes financeiras do crime e proteger a integridade institucional do país. Com efeito, estes grupos deixaram há muito de ser apenas facções criminosas locais. Hoje, operam como estruturas transnacionais altamente organizadas, com atuação no tráfico internacional de drogas, armas, lavagem de dinheiro, controle territorial, intimidação da população e ataques contra agentes públicos.
A propósito, não é de hoje que temos alertado, na Câmara dos Deputados, que o Brasil estava dominado por grupos terroristas. No entanto, é inquietante a recusa em classificar tais facções como grupos terroristas em função de uma teimosia política e diplomática, tendo em vista que a inércia apenas fomenta o crescimento destes grupos.
Isso se deve ao alinhamento semântico do Governo brasileiro à ONU, que define grupo terrorista como uma entidade com motivação ideológica, religiosa ou política. Entendem, equivocadamente, que tais facções não apresentariam esse viés. Ora, a formação de um poder paralelo que desafia o Estado e aterroriza a população é, por definição, uma organização política paraestatal.
O avanço desse cenário ficou evidente na exclusão do Brasil na Cúpula Escudo das Américas, promovida pelos EUA para combater o narcoterrorismo. O Brasil não foi convidado, o que reflete a relutância da atual gestão federal em adotar uma postura dura de enfrentamento. Diante dessa inércia interna, o Departamento de Estado dos EUA anunciou oficialmente a designação do PCC e do CV como organizações terroristas globais. Conforme comunicado pelo secretário Marco Rubio, as facções são consideradas as mais violentas do hemisfério. Essa rotulação permite o bloqueio imediato de bens e sanções econômicas severas.
O Brasil precisa enfrentar o crime organizado com seriedade e coragem. Não se trata apenas de segurança pública, mas da preservação das instituições nacionais. É preciso rebater a alegação da falta de “critério político”. Organizações terroristas não precisam de um partido registrado para agir politicamente; elas já possuem influência em diversas esferas e utilizam empresas de fachada para lavar dinheiro e patrocinar seus interesses.
O exemplo mais recente de quebra dessa didática retrógrada ocorreu em El Salvador. Estive pessoalmente no país e constatei essas mudanças de perto. O Presidente Nayib Bukele mudou leis, substituiu magistrados comprometidos e aplicou medidas severas contra aqueles que ousaram transgredir a ordem. O resultado está estampado para o mundo: o país, que antes era um dos mais perigosos, hoje é exemplo de vitória contra o crime.
O Brasil tem jeito, depende de você!
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