quarta-feira, janeiro 27, 2021

Com medo de perder cargos, ala do DEM se alia a Bolsonaro

Imagens: Reprodução

Com medo de perder cargos na máquina federal, a bancada de deputados baianos do DEM declarou apoio a Arthur Lira (Progressistas-AL) na disputa à presidência da Câmara. O grupo dissidente é comandado pelo presidente nacional do partido e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Oficialmente, o DEM integra o bloco de apoio a Baleia Rossi (MDB-SP) na eleição na Casa. Há movimentos semelhantes no PSDB a favor do líder do Centrão e candidato do presidente Jair Bolsonaro.

Herdeiro do carlismo, oligarquia comandada na Bahia pelo avô e então senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), o atual presidente do DEM procurou se projetar, nos últimos anos, como um nome da renovação política. A legenda, em seu conjunto, chegou a se afastar do bloco do Centrão e fugir das marcas do clientelismo e do fisiologismo, especialmente da troca de apoio ao Palácio do Planalto por cargos e emendas. Ao mesmo tempo, o movimento de ACM Neto a favor de Lira estremeceu a relação com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que apoia a candidatura de Baleia. Num encontro ontem no Palácio da Cidade, sede da prefeitura do Rio, Maia relatou que ouviu de um empresário que a legenda corre o risco de ganhar o apelido de "partido da boquinha".

A uma pergunta do Estadão sobre a análise do empresário, Maia disse discordar do comentário. "Eu não concordo. Conheço a bancada do DEM, sei que alguns têm amizade com Arthur, eu entendo, mas conheço a postura dos deputados e do presidente do partido", afirmou. "A gente não pode deixar que a disputa gere desgaste para o partido que saiu mais forte das eleições municipais." Maia atribuiu a dissidência a uma tentativa da candidatura governista de criar "conflito". Nos cálculos dele, Baleia deve ficar com 22 dos 32 votos do DEM. Ontem, o emedebista visitou o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), que reafirmou o apoio de seu partido à candidatura de Baleia. A disputa da Câmara é um teste de fogo no novo "carlismo". Os democratas baianos e tucanos têm apadrinhados na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgãos federais de orçamentos robustos.

No domingo, os cinco deputados da bancada da Bahia, a maior do partido, controlada por ACM Neto, porém, saíram numa foto com Lira. ACM se limitou a soltar uma nota na tarde de ontem para dizer que o encontro de Lira com os deputados baianos foi uma "cortesia" e declarou apoio "institucional" a Baleia. Procurado, o ex-prefeito não respondeu. Além do quinteto baiano no DEM, partidários de Lira na sigla fazem circular nos bastidores uma lista de apoio que inclui outros nove deputados.

📌Lembre-se: higienize as mãos sempre que necessário com água e sabão ou álcool em gel.

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