segunda-feira, agosto 10, 2020

SAS Brasil realiza cerca de 700 teleconsultas em comunidades carentes do Rio Grande do Norte no primeiro mês de atuação

Imagem: Reprodução
Em apenas um mês, cerca de 700 atendimentos por telemedicina foram realizados em comunidades carentes de Natal e região metropolitana. O resultado é uma iniciativa da associação sem fins lucrativos SAS Brasil, em parceria com a distribuidora de combustíveis ALE, que mantém sede na capital potiguar e doou R$ 390 mil para o projeto. Até então, esse tipo de consulta médica não estava disponível no Nordeste, mas, com o recurso doado pela companhia, foi possível implantar a primeira base do SAS Brasil na região para a realização das teleconsultas.

Em Natal, grande parte do atendimento está concentrado na região Norte, na comunidade Mãe Luiza e no bairro Cidade Nova, local onde fica a matriz da ALE. Segundo Sávio Mourão, diretor do SAS Brasil, além dos 700 teleatendimentos, a instituição estima um impacto social positivo em cerca de 1.300 pessoas. “O número de atendimentos significa a quantidade de pessoas que estavam em frente à tela do celular para a realização da teleconsulta e receberam as orientações de um médico. Já o impacto é mensurado em relação a todas as pessoas que moram na mesma casa. Isso porque elas são diretamente impactadas, pois o familiar doente não terá que se expor e ir a um pronto socorro, por exemplo. As famílias também aprendem bastante com os médicos do SAS Brasil, que passam recomendações para todos na casa”, explica.

Mourão revela que a parceria com a ALE tem gerado resultados positivos no estado e fomentado novas ampliações. "Nossa ação foi muito bem recebida pela prefeitura de Natal. Tivemos autorização para que as unidades básicas de saúde recebam nossas receitas e encaminhamentos de pessoas que necessitem de internação. Além disso, vamos assinar com a prefeitura um termo de parceria para oferecer consultas por telemedicina para as pessoas testadas positivas pelo Centro de Atendimento para Enfrentamento da Covid-19 na capital. Vamos monitorar casos graves de Covid-19, que a prefeitura tem testado, para que tenhamos o melhor desfecho e precisão na hora de encaminhar para o atendimento presencial. Nossa equipe terá uma sala para que os equipamentos sejam guardados no Ginásio Nélio Dias”, declara.

Além da prefeitura de Natal, o SAS Brasil firmou parceria com seis instituições locais para dar suporte em relação à comunicação com a população: Instituto Dom Bosco, Fé e Alegria, SAR (Serviço de Assistência Rural da Arquidiocese da capital), Projeto IMBES (organismo vinculado à Igreja Missionária Batista El Shadai), Centro Sócio Pastoral Nossa Senhora da Conceição (Mãe Luiza) e líder local Chico (no Cidade Nova).
Segundo Mourão, em relação aos casos atendidos, um deles que estava com Covid-19 foi encaminhado para internação. Porém, depois de uma semana internado, voltou para casa e o SAS Brasil seguiu monitorando por mais alguns dias. "Nós nos perguntamos: 'quantos médicos já te ligaram no dia seguinte à consulta?'. Para os casos que necessitam de acompanhamento, temos uma rotina de monitoramento, que inclui ligar e acompanhar a pessoa até que ela esteja melhor. Dessa forma, caso seja necessário que ela vá ao posto, será na hora certa, nem cedo demais para o diagnóstico nem muito tarde, quando a doença já entra em um estágio difícil de receber os cuidados. Em caso de encaminhamento à unidade de saúde, o paciente atendido pela equipe do SAS Brasil já chega com o laudo médico, com todo o quadro clínico para auxiliar na atuação da equipe do posto de saúde", explica.
Sobre as vantagens da telemedicina, o diretor do SAS Brasil afirma que o atendimento é realizado com muito carinho. “Ao realizar o teleatendimento, ‘entramos’ na casa das pessoas e estabelecemos um novo tipo de vínculo; muitas vezes, a ida ao hospital é repleta de medos e receios, mas, ao estar na própria casa do paciente, a relação é totalmente diferente. Entendemos as reais condições de vida da pessoa; se ela está prostrada ou de cama, o que são sinais muito relevantes para nossa percepção sobre o quadro do paciente", acrescenta.
Nesta semana, o SAS Brasil iniciará uma divulgação mais extensiva para a ampliação do número de atendimentos. "No início, fizemos a divulgação do número de WhatsApp por meio de organizações sociais e faixas, que também foram instaladas em postos ALE na região. Agora, a prefeitura poderá encaminhar pacientes para nós e um carro de som fará a divulgação do número nas regiões prioritárias", revela a médica e coordenadora de Saúde Adriana Mallet, diretora do SAS Brasil. "Temos visto uma demanda reprimida bastante expressiva e uma carência de informação e atendimento. A parceria com a prefeitura tem sido bastante eficiente, o que contribui com o sucesso que obtivemos no estado", complementa.
Na avaliação do presidente do Conselho de Administração da ALE, Marcelo Alecrim, os primeiros resultados do SAS Brasil demonstram a importância da iniciativa para desafogar as unidades básicas de saúde do estado, que vêm sofrendo com as altas taxas de ocupação. "Temos a convicção de que o recurso que doamos foi direcionado para uma instituição que está desempenhando um importantíssimo trabalho, principalmente em função da pandemia, aliviando o sistema público de saúde que entrou em colapso. Esperamos que mais pessoas possam ter a experiência da teleconsulta, que pode salvar milhares de vidas", afirma.


Como funciona a teleconsulta do SAS Brasil
O pedido para a teleconsulta é feito por um número de WhatsApp divulgado na comunidade. A pessoa que necessita de atendimento médico envia uma mensagem, solicita a consulta e a equipe da instituição realiza uma triagem com o paciente, que responde um questionário para confirmar as condições de saúde e dados de cadastro. O projeto é voltado para a população carente, com renda familiar de até três salários mínimos.

No dia e horário da consulta agendada, é enviado um link para a videoconferência com o médico, que avalia o quadro clínico e emite receitas pelo sistema eletrônico, se necessário. Em alguns casos, sob orientação médica, uma equipe de campo leva equipamento para medir os sinais vitais do paciente. Caso seja constatado que ele precisa ser monitorado, a instituição empresta oxímetros para que o paciente possa medir o nível de oxigenação do sangue. Para quem não tem acesso à internet ou não está familiarizado com a tecnologia, a equipe do SAS Brasil vai até a casa da pessoa e leva equipamento próprio para viabilizar a videoconferência com o médico.

📌Lembre-se: higienize as mãos sempre que necessário com água e sabão ou álcool em gel.


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